Obesidade infantil, a pandemia do século XXI em Portugal e Europa

Estudos recentes alertam do aumento das taxas de sobrepeso e obesidade infantil em Portugal e na Europa, um problema que profissionais da área da saúde, como a pesquisadora do CIBERobn e médico especialista em pediatria Fernanda Leis, qualificam-se como “a grande pandemia” da época atual

EFE/Brais Lorenzo

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O índice de massa corporal (IMC) é um indicador internacionalmente reconhecido para calcular um excesso de gordura em adultos e a fórmula é uma simples equação -kg/m2, que se pode extrair o grau de gravidade da obesidade.

A doutora Leis, médico do Complexo Hospitalar Universitário de Santiago (CHUS), explicou à EFE que, no caso das crianças, considera-se que uma criança tem excesso de peso quando o IMC encontra-se acima do percentil 85, obesidade se ultrapassa 95 e obesidade mórbida se excede o percentil 99.

O percentil é o valor do elemento que divide um conjunto de dados em cem grupos de igual valor ou em intervalos iguais.

O diretor do Instituto de Obesidade (IOB), Adelardo Cavaleiro, coincide com a pesquisadora galega em que “são muitas as causas” que convergem para que a Espanha seja o país com a maior prevalência de obesidade infantil em toda a Europa”, com um crescimento “muito mais rápido” que o dos EUA nos últimos vinte anos, ao passar de 30% a 65% da taxa de obesidade infantil, garante.

Quanto às causas, a doutora Leis aponta que 95 % dos casos de obesidade infantil responder a uma predisposição, a causas genéticas e ao ambiente”.

Menciona fatores como a alimentação, a falta de actividade física e a inatividade”, e considera estas duas últimas como independentes, já que, devido a inatividade ou o “lazer passivo”, além de não gastar energia para se consumir “alimentos que não são saudáveis”.

Ambos os especialistas concordam em que “os países do sul da Europa, principalmente Espanha e Portugal, contem com “uma maior prevalência de obesidade, apesar de constar, com suas reconhecidas “dietas atlântica e mediterrânica”.

Por comunidades autónomas, Cavaleiro afirma que são também as do sul de Espanha, Andaluzia, Múrcia ou Canárias, as que apresentam maiores níveis de obesidade.

A crise não melhorou a alimentação

Por outro lado, a pesquisadora do Centro de Pesquisa Biomédica em Rede de Fisiopatologia da Obesidade e Nutrição (CIBERobn) indica que “vários estudos têm definido a obesidade como doença social”, dado que “as maiores comparações de obesidade se dão em níveis -sociais – mais baixos”.

E, prossegue, embora “acreditávamos que com a crise, as famílias iam para as refeições tradicionais, vemos que vão as calorias mais baratas, enquanto que os alimentos que mais aumentaram seu preço são os mais saudáveis”.

A obesidade infantil “tem consequências a longo, médio e curto prazo”, acrescenta a doutora Leis, e “representa um alto risco para a sobrevivência de nosso sistema de saúde”; Cavaleiro defende uma “consciência coletiva” de que nos encontramos perante “um problema difícil e de longa solução” que, não obstante, é “reversível”.

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