Obesidade, sistema nervoso, estresse e dieta: interconexionadas

Um estudo realizado por cientistas do Centro de Pesquisa do Câncer de Salamanca (CIC) esclarece, pela primeira vez, as interconexões existentes entre o estresse, o sistema nervoso, a obesidade e dietas saudáveis e com alto teor de gordura

EPA

Segunda-feira 03.09.2018

Terça-feira 28.08.2018

Segunda-feira 20.08.2018

Os resultados do trabalho, realizados com animais geneticamente modificados e publicados na revista “Cell Metabolism“, dão, pela primeira vez, uma visão clara sobre a síndrome metabólica, termo médico utilizado para as patologias relacionadas com a obesidade, informaram fontes do CIC através de um comunicado.

Deste modo, os cientistas constataram que o sistema nervoso e o estresse têm diferentes funções no desenvolvimento das chamadas “doenças do século XXI”, em função da dieta habitual dos indivíduos.

Os resultados também permitiram descartar de forma inequívoca que a pressão arterial elevada contribua de forma direta para o desenvolvimento de diabetes tipo 2, como se postulava em um estudo prévio.

Além disso, a pesquisa prevê que terapias dirigidas contra ramo do sistema nervoso que determina a reação do organismo ao estresse podem ser de interesse para tratar pacientes com síndrome metabólica que não sejam obesos.

No entanto, essas terapias passariam a ter efeitos graves no caso de ser administradas a pacientes obesos.

Durante estudos anteriores, o computador, do qual fazem parte os doutores do CIC Mauricio Menacho-Márquez e do Centro de Pesquisa em Medicina Molecular e Doenças Crônicas (Cimus) de Santiago de Compostela Rúben Nogueira e Carlos Diéguez, havia desenvolvido um rato geneticamente modificado para analisar o possível papel terapêutico da oncoproteína Vav3 em câncer e outras patologias.

Quando estes animais foram analisados, o grupo pôde verificar que tinham uma alteração do seu nascimento, o que fazia com que tivessem continuamente ativado, o sistema nervoso relacionado com o estresse.

“Isso nos deu a idéia de usá-los para resolver todas as questões relacionadas com a ação do estresse sobre doenças metabólicas”, tem afirmado Menacho-Márquez.

De fato, nas palavras de Bustelo, “o acompanhamento periódico destes roedores, desde o seu nascimento até uma idade equivalente à que teriam pessoas com 80 anos e nos dava uma oportunidade única de ver os efeitos a longo prazo do estresse e, além disso, ver como é que estes variavam em função da dieta, a idade ou a administração de diversos tipos de medicamentos”.

Além disso, “uma vez que os animais tinham um componente genético homogêneo e condições ambientais idênticas, nos permitiu estabelecer correlações diretas entre as condições experimentais e a evolução da doença e, por isso, definir de forma inequívoca, causas e efeitos”, conclui o doutor Menacho-Márquez.

(Não Ratings Yet)
Loading…

Leave a Reply