OMS desconhece o alcance do surto na RD Congo por falta de acesso

A Organização Mundial da Saúde (OMS) desconhece o alcance do surto do vírus Ebola que assola a província de Kivu do Norte, na República Democrática do Congo (RDC), uma vez que existem várias “zonas vermelhas”, em que não tem acesso, por isso que o trabalho epidemiológico é extremamente complicado.

Pessoal médico vacina a um cidadão, como medida de prevenção contra o ebola em Beni, República Democrática do Congo. EFE/ Mark Naftalin

Artigos relacionados

Quinta-feira 16.08.2018

Quinta-feira 02.08.2018

Assim explicou hoje, em conferência de imprensa Tarik Jasarevic, porta-voz da OMS, que não pôde especificar quantas áreas vermelhas de nível 4 -que a ONU determina que são muito perigosas para a sua equipe acesse – na região, mas disse que há “várias”.

“Não sabemos qual é o panorama epidemiológico porque temos vários espaços em que não sabemos o que se passa”, afirmou Jasarevic.

Para resolver este problema, há trabalhadores de saúde que se comunicam por telefone, com os seus pares nessas áreas e que estão tentando educar sobre como identificar possíveis casos de ebola.

No passado dia 24 de julho, apenas uma semana depois de dar por terminado o surto de ebola na província do Equador esse imenso país africano, as autoridades notificados de que um novo havia lançado.

Desta vez, o surto do vírus mortal surgiu na província de Kivu do Norte, no nordeste do país, e onde há ativos mais de cem grupos armados e uma região onde, no que vai de ano foram registrados mais de 120 incidentes violentos.

Perto da centena de infectados pelo ebola

Até à data, foram identificadas 78 casos deste surto, incluindo 51 confirmados e 27 prováveis; e foram contabilizados 44 mortes.

Jasarevic disse que a OMS está “à espera de mais casos, dado que há vários focos ativos e várias cadeias de transmissão não identificadas”, mas disse que os epidemiólogos estão trabalhando contra o tempo para descobrir todos os contagiados, isolá-los e assim poder conter a expansão.

Além disso, estão a ser implementadas campanhas de conscientização para que a população local, conheça os riscos de transmissão.

O vírus do Ebola é transmitida através do contato direto com o sangue e fluidos corporais contaminados e é mais virulento quanto mais avançado é o processo e, especialmente, a morte do paciente.

É por isso que é essencial que os enterros se façam de forma segura e que é descartada as práticas ancestrais de limpar e beijar os mortos.

Atualmente, existem abertos dois centros de tratamento, um na cidade de Beni gerido pela ONG Alima, e outro em Beni, liderado por Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Sobre o terreno há 100 trabalhadores humanitários.

Até à data, foram vacinados mais de 500 pessoas decorrentes de cinco casos e foram identificados até 1.500 contatos de pessoas infectadas.

O processo de imunização segue a mesma estratégia do último surto de ebola, obtida a partir de aplicar as vacinas ao pessoal de saúde, para aqueles que tenham estado em contacto com casos confirmados e também às pessoas que tenham estado em contato com estes últimos.

A vacina ainda está sem licença, mas foi usado experimentalmente em Guiné Conacri durante a mortal epidemia que atingiu a África ocidental em 2014 e 2015 e também foi usado no surto da região do Equador.

(Não Ratings Yet)
Loading…

Leave a Reply