Oncologistas alertam do aumento de câncer de boca e garganta por vírus do papiloma

Os especialistas do Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO 2014) foram avisados do aumento de casos de câncer de boca e garganta em Portugal causados pelo vírus do papiloma humano (HPV), e apresentaram outras novidades a 24 horas do final da cúpula científica

Atividade em um átrio do Congresso/Foto fornecida pela ESMO

Quarta-feira 17.09.2014

Terça-feira 26.08.2014

Terça-feira 09.07.2013

Terça-feira 04.06.2013

O aspecto epidemiológico, e não o tratamento, é um dos aspectos mais inovadores desses tipos de câncer, sobre os que têm tratado hoje os especialistas ESMO, como o doutor João José Geraldo, oncologista do Hospital Clínic de Barcelona.

Estes tumores estavam associados ao consumo de tabaco e álcool, mas, segundo Grau, estão passando a ser produzidos por uma infecção do HPV devida a uma “maior promiscuidade sexual, práticas sexuais de risco com mais pessoas e por ter relações sexuais bucogenitales”.

Nos Estados Unidos da américa e o norte da Europa tornaram-se “uma epidemia” -na Dinamarca, respondem por 60 % dos novos casos-, mas em Espanha, a taxa de incidência é ainda baixa, de entre 6 e 10 % do total deste tipo de cancro, mesmo que há cinco anos era de 1 %.

Não obstante, Grau está convencido de que este percentual aumentará nos próximos anos, porque, embora a gente fuma e bebe menos, crescem as migrações de ámérica do Sul, onde há maior prevalência do vírus, e por uma “maior promiscuidade de parceiros sexuais”.

Atualmente, segundo relataram os congressistas, se está trabalhando em diferentes ensaios com vacinas terapêuticas para os tumores causados pelo HPV, algumas vacinas que podem ser aplicados apenas para as pessoas que têm esse tipo de tumor, e se espera que nos próximos anos comecem a dar resultados.

A vacina, que é comercializado hoje contra o HPV é apenas preventiva e foi explorado em meninas, antes de ter relações, segundo explicou Grau, que afirma que “se não se aplica a crianças, eles vão se transformar em portadores saudáveis do vírus e, portanto, perderá a eficácia a nível populacional”.

Grau acredita que deve se estender para as crianças, mas também é consciente de que “sairia caríssimo”, daí a importância em avançar vacinas terapêuticas, que são anticorpos monoclonais dirigidos contra uma proteína mutante que causa a proliferação do câncer.

Apesar do aumento deste tipo de câncer, os especialistas também querem sublinhar como uma “boa notícia” sobre estes tumores são mais fáceis de curar que os produzidos pelo álcool e o tabaco.

Mas este não é o único câncer que sofreu um aumento, já que também, desde 2007, “há uma epidemia”, segundo o especialista, o câncer de tireoide”, embora tenha passado um pouco despercebido, porque quase todos os tumores se curam, apenas se espalhou para 5 por cento.

A razão desta “epidemia” e do aumento dos chamados ‘diferenciados papilares e foliculares’ dentro deste tipo de tumores, há que procurá-la em “as radiações ou em um excesso de poluição de iodo”.

Para fazer frente a estes tumores saiu um medicamento que aumenta o tempo de vida de vários anos, enquanto que para os chamados medula em fase de metástase já há três meses, duas drogas que são “altamente eficazes” e que também melhoram a sobrevivência de seis meses a três anos.

Estes dois últimos drogas, segundo Grau, estão no Ministério da Saúde brincos de preço e “é iminente colocá-los em prática”.

Também foram alcançados progressos importantes no câncer de próstata, que explicou o doutor David Olmos, pesquisador do Centro Nacional de Investigações Oncológicas (CNIO).

Assim, no Congresso foi apresentado o ensaio CHAARTED, que demonstra que se aplica desde o início de quimioterapia dos pacientes com metástases aumenta a sobrevivência. Até agora, ele lhes deu o início do tratamento hormonal.

Além disso, Ramon Salazar, do Instituto Catalão de Oncologia, também referiu a medicina de precisão o câncer de cólon, enquanto que André Poveda, da Fundação Instituto Valenciano de Oncologia, debateu os tumores ginecológicos e a recente publicação do atlas do genoma do câncer de ovário e de endométrio, que, a seu juízo, “vai ser fundamental” para os pacientes tratamentos mais específicos e menos tóxicos”.

(Não Ratings Yet)
Loading…

Leave a Reply