Oncologistas e pacientes de câncer de mama pedem equidade no acesso dos tratamentos

Oncologistas e pacientes de câncer reclamam equidade no acesso aos tratamentos contra a doença, já que, em função da comunidade autónoma em que se reside podem ter uns mais eficazes do que outros e lamentam que os “interesses políticos” (acompanhamento): de frente para os doentes

EFE/FERNANDO BIZERRA JR

Quinta-feira 19.10.2017

Quinta-feira 07.09.2017

Segunda-feira 07.08.2017

Esta é uma das reivindicações que fizeram a Federação Espanhola de Câncer de Mama (Fecma), a Sociedade Espanhola de Oncologia Médica (SEOM), o Grupo Português de Investigação em Cancro de Mama (GEICAM), e o grupo de pesquisa Solti, no âmbito do Dia Mundial contra esta patologia, 19 de outubro.

A presidente Fecma, Montserrat Domènech, foi avisado de que não é uma ação nova, mas é uma situação que não melhorou e que cria desigualdades entre as pacientes com aquilo que o manifesto deste ano, opte por uma Carteira Comum de Serviços “única e comum”.

O presidente de SEOM, Miguel Martinho, disse que 90% das desigualdades no acesso aos tratamentos se poderia resolver se “os conselheiros regionais se pusessem de acordo para os fármacos que são financiados”.

Neste sentido, salientou que várias pesquisas de SEOM indicam que as desigualdades são “incontestables” e que as decisões do Conselho Interterritorial do Sistema Nacional de Saúde (SNS), no qual se reúnem os conselheiros do ramo, não são vinculantes, mas, além disso, “frequentemente” as que se tomam “são ditadas pela cor política”.

“Infelizmente, como muitas vezes acontece na política, parece que prevalecem os interesses políticos de cada comunidade autônoma frente aos dos pacientes e isso só se pode resolver se os pacientes pressionam a Administração”, foi dito Martinho.

O presidente de SEOM comentou que foi dado o paradoxo de que em uma mesma cidade, um hospital foi administrado um tratamento que “na frente” não se podia.

Em sua opinião, há uma “série de manobras” para tentar economizar “colocando obstáculos” na prescrição de medicamentos, que consiste em atrasar a aprovação em Portugal dos medicamentos, uma vez autorizados pela Agência Europeia do Medicamento, uma situação que parece que está melhorando.

Sobre este aspecto, o vice-presidente de GEICAM, Agustí Barnadas, que ratificou a desigualdade no acesso aos tratamentos, considerando que há drogas que são aprovados na Europa podem levar até dois anos para ser incorporados ao SNS.

“Há certos decalajes de comunidade a comunidade, é um problema realmente grave, que poderia ser resolvido”, foi condenado Barnadas, que acrescentou que, como clínicos, a sua responsabilidade é tratar os pacientes da forma mais adequada e saber parar um tratamento quando não é útil.

Precisamente, a presidente do grupo de investigação do cancro da mama Solti, Eva Maria Ameixas, afirmou que um dos desafios dos profissionais é dar o melhor tratamento aos pacientes que necessita de ajuda e não entregá-lo no caso de que não os necessitam.

“A investigação centra-se também que, em evitar drogas que são especialmente tóxicos, como a quimioterapia, a esse grupo de pacientes que não precisa. Estamos aprendendo a fazê-lo em pacientes onde esse tratamento sempre estava presente e não era eficaz”, expôs Ameixas.

Sobre a situação da doença em Portugal, os oncologistas são lembrou que aumenta a incidência do câncer de mama, com cerca de 28.000 novos casos por ano, mas se reduz a mortalidade.

A doutora Ameixas indicou que as investigações centram-se, entre outros aspectos, em subdividir os tipos de tumor que existem em pequenos grupos, que compartilham as mesmas características biológicas para tentar aplicar tratamentos específicos para cada um deles, com o fim de aumentar a eficiência e reduzir a toxicidade.

Outro dos objectivos em que avançam os profissionais é fazer com que os pacientes não apenas curar, mas que “fiquem como estavam antes da doença”, sem nenhum efeito secundário.

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