Oncologistas espanhóis lideram uma nova terapia contra o HER2

Oncologistas espanhóis têm liderado a pesquisa de uma nova terapia que aumenta a sobrevida em câncer de mama avançado em 35 por cento, e cujo financiamento no Sistema Nacional de Saúde foi autorizado, na semana passada, pelo Ministério da Saúde,

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Este avanço terapêutico foi realizado no Centro Nacional de Investigações Oncológicas (CNIO) por doutores Miguel Martinho, chefe do Serviço de Oncologia Médica do Hospital Gregorio Marañón e presidente do Grupo Português de Investigação em Cancro de Mama(GEICAM); Javier Cortés, oncologista do hospital Vall dHebron e um dos pesquisadores principais do estudo; e a doutora Ana Lluch, chefe de Oncologia do Hospital Clínico de Valência.

Este novo medicamento, Perjeta (pertuzumab), do laboratório Roche, é indicado para pacientes com câncer de mama HER2 positivo com metástases, o mais agressivo e mortal, e constitui uma das inovações terapêuticas mais relevantes dos últimos 15 anos, salientou o dr. Martin.

Um avanço que deve chegar a todos os pacientes

Em conferência de imprensa, os três médicos têm alertado para o risco de que este novo fármaco não chegue a alguns pacientes por diferenças na sua prescrição entre Comunidades Autónomas e pediram aos políticos um pacto de saúde que impeça este tipo de situações.

Também foram avisados sobre o risco de que as seguradoras de saúde privada sejam reticentes em prescrever aos seus pacientes deste tipo de novos medicamentos mais caros, mas muito mais eficazes.

Neste sentido, o dr. Martin disse que “há REGIÕES que colocam restrições e reduzem seu uso; este é um problema político de saúde muito grave”, e foi reconhecida reuniões com Saúde, para que os novos medicamentos cheguem mais rápido aos pacientes e sem desigualdades.

O doutor Cortês manifestou a sua preocupação perante a prescrição destes fármacos na saúde privada. “A saúde privada há uma boa medicina, mas as seguradoras não podem colocar letra pequena, para evitar o gasto de novos e eficazes fármacos; isto se deve regular”, lamentou.

A luta contra o câncer de mama

O câncer de mama é o tumor maligno mais comum em mulheres de todo o mundo; no Brasil, a cada ano são diagnosticados mais de 25.000 casos e um deles, entre 15 e 20 por cento são HER2 positivo.

“Temos descoberto o ponto fraco deste câncer de mama, o mais prejudicial, com mais metástases, o mais letal”, disse o dr. Martin, que explicou que o novo fármaco atua em combinação com o que já foi um grande avanço há 15 anos, Herceptin (trastuzumab), e pode chegar a reduzir o risco de morte de 34 por cento.

O doutor Cortês, um dos máximos responsáveis do estudo Cleópatra, que desenvolveu a pesquisa deste medicamento novo, sublinhou que o protagonismo de Portugal tem sido central.

“Este foi o nosso Mundial em oncologia”, comparou Javier Cortés para dar uma ideia do papel jogado pela oncologia espanhola na liderança deste avanço.

No estudo participaram um total de 250 centros de 19 países (Espanha, com nove hospitais) e 808 mulheres com câncer de mama HER2 positivo mestastásico.

“Estamos diante da primeira doença objetivo do estudo que se pode cronificar”, declarou Miguel Martinho.

A doutora Lluch, considerando que, com este tratamento pode prolongar a vida do paciente e o tempo efetivo de terapia para melhorar a sua qualidade de vida e poder de livrá-los dos sintomas”.

Ana Lluch salientou que esta nova terapia biológica não tem toxicidade e anunciou novos e melhores medicamentos para datas próximas, com menos efeitos colaterais, que bloqueiam a malignidade da célula e vão directos ao tumor.

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