Oncologistas pedem mais investimento em saúde para lutar contra o cancro do pulmão

O câncer de pulmão é o que mais vidas desliga no mundo. A Cada ano são detectados cerca de 25.000 novos casos só em Portugal. No âmbito do Dia Internacional desta doença, 17 de novembro, os oncologistas do Grupo Português de Câncer de Pulmão (GECP) pedem mais recursos frente a este mal

pulmão de um não fumador ao lado de um fumante em uma exposição do ano de 2007. O tabaco continua a ser a causa de 90% dos diagnósticos. REUTERS/Stefan Zaklin

Artigos relacionados

Sexta-feira 07.09.2018

Sexta-feira 07.09.2018

Quarta-feira 05.09.2018

O GECP, um grupo de pesquisa formado por 350 especialistas e cerca de 150 hospitais de toda a Espanha, junta-se à comemoração desta data com um alerta: a sobrevivência de pacientes com câncer de pulmão depende diretamente de investimento de saúde.

Portugal está entre os 10 países europeus que menos recursos destinados à luta contra este tipo de câncer.

“Investir no sistema de saúde é fundamental para garantir uma boa perspectiva para os nossos pacientes. No contexto de recessão económica, é essencial lembrar-se disto para a Administração, pois o câncer de pulmão tem um elevado custo social”, assegura Bartomeu Massuti, chefe de Oncologia do Hospital Geral de Alicante e secretário do GECP.

Os números

Esse custo se reflete na performance de tirar números que esta doença tem deixado nos últimos anos, como explica o doutor Massuti: “A nível mundial, este tumor aparece em cerca de 1,6 milhões de pessoas a cada ano , e deixa atrás de si 1,3 milhões de mortes. Em nosso país, mais de 380.000 pessoas morreram por sua causa nos últimos vinte anos”.

A esse quadro se soma o problema econômico. De acordo com os dados divulgados pelo GECP, os custos do tratamento do câncer de pulmão no país representam um investimento de 5 euros por habitante e por ano, abaixo da média europeia, de 8 euros, e superada por países como a Áustria, a Alemanha e a Finlândia, com 16 euros.

Tratamentos mais personalizados e pesquisa

As terapias personalizadas são uma das armas decisivas contra o câncer de pulmão e, por isso, os especialistas do GECP ressaltam a necessidade de que os hospitais ofereçam estudos de alterações genéticas e tratamentos específicos em função dessas mutações.

Estes avanços foram possíveis graças a décadas de pesquisa,outro aspecto que precisa de recursos com urgência. Os profissionais que insistem na importância de ampliar o número de alterações genéticas da doença conhecidas até agora, para o que necessitam de maior financiamento.

“A generalização da investigação sistemática, provavelmente com uma estrutura organizada em rede, de acesso e de cobertura nacional centralizada e com controles de qualidade, como tem sido implementada na França, é a chave para a seleção de pacientes e abre as possibilidades de tratamentos biológicos”, diz o doutor Massuti.

Este evento será presidido por Rafael Rosell, chefe do serviço de Oncologia Médica do ICO-Hospital Germans Trias i Pujol de ribeirão preto e contará com a participação de Rolf Stahel, presidente da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) e a Plataforma Europeia de Oncologia Torácica (ETOP), que reúne os principais grupos de pesquisa em câncer de pulmão na Europa.

Sobre o câncer de pulmão

Com motivo do Dia Internacional desta doença, compartilhamos alguns dados para ter em conta:

  • O tabaco continua a ser o fator de risco mais importante, é a causa de 90% dos diagnósticos.
  • Entre os não fumantes ou não fumantes, existe uma proporção maior de câncer de pulmão em mulheres que em homens.
  • Na Europa, a mortalidade por esse tumor diminuiu 10% nos homens, mas aumentou 7% em mulheres, aproximando-se da mortalidade por câncer de mama.
  • De 25.000 novos casos são detectados a cada ano em Portugal, mais de metade tem doença objetivo do estudo no momento do diagnóstico.
  • Este câncer é a segunda causa de morte no país, depois das doenças cardiovasculares e, à vez, a primeira causa de morte por câncer.
  • Um 60% dos pacientes recebe radioterapia em algum momento. O diagnóstico precoce é fundamental; quando é detectado em fases iniciais, a sobrevivência é superior a 40%.
  • Apesar de que hoje a expectativa de vida é de 15% aos cinco anos de detecção, os novos avanços no diagnóstico e tratamento vislumbram um futuro otimista.

(Não Ratings Yet)
Loading…

Leave a Reply