Oncologistas pedem mais praças diante de uma doença com vários casos

A Sociedade Espanhola de Oncologia Médica (SEOM) tem alertado hoje de que existe um défice de oncologistas e que isso faz com que muitos especialistas estão “sobresaturados” a carga de trabalho, pelo que apelou a “mais praças e contratos”, já que o câncer cada vez registra mais casos.

De izq. a direita: Presidente de SEOM, Miguel Martinho, vice-presidente Ruth Vera; e coordenador científico César Rodríguez. Foto: SEOM

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A SEOM calcula que há cerca de 1.200 oncologistas médicos a trabalhar em Portugal, entre a Saúde pública e privada, de uma figura que mostra o “déficit” de especialistas em câncer, uma doença que registra 250.000 casos novos por ano.

Assim expôs o presidente dos oncologistas espanhóis, o doutor Miguel Martín, em conferência de imprensa convocada para apresentar a celebração do Congresso SEOM 2017, que se realiza até o dia 27 de outubro, em Lisboa, para debater as novidades sobre o diagnóstico e tratamento do câncer.

Martin disse que a oncologista tem que atender os pacientes novos e “não esquecer” que já foi tratado, bem como investigar. Por isso, afirma a necessidade de mais contratos, ainda que para isso faz falta orçamento”.

Mesmo sendo alertado de casos de pacientes com câncer que não são vistos por um oncologista, perante o défice destes especialistas.

Por isso, a SEOM quer que se aumente o orçamento da Saúde e, neste sentido, tem criticado o Governo por “não fazer caso” os médicos diante de “um problema social”.

Outro dos assuntos que são abordados nesta conferência de imprensa é a “escassez” de formação em oncologia que existe nas universidades espanholas. “Os currículos universitários são bastante antigos e não foram atualizados”, disse Martin.

O médico explicou que a formação que recebem os universitários na faculdade de Medicina é “insuficiente”, devido a que esta especialidade “entrou, anos depois, no currículo tradicional e tem que ir fazendo oco”.

“Melhorar a formação em oncologia não é um capricho. Os estudantes vão ver doentes oncológicos façam a especialidade que façam”, disse o presidente de SEOM, para acrescentar que há médicos de família que a dia de hoje “têm medo” de tratar os pacientes com câncer.

Também participou no encontro o vice-presidente da SEOM -que será presidente até o final deste mês-, Ruth Vera, que explicou os novos desafios da oncologia, como são a abordagem multidisciplinar, a medicina personalizada e a adaptação das novas tecnologias para obter resultados em menos tempo.

“Cada vez mais se estão incorporando novas especialidades, como por exemplo, a dermatologia, porque os novos medicamentos podem causar toxicidade na pele”, disse por sua parte o doutor César Rodríguez, coordenador científico do congresso, o que leva o tema “Oncologia de futuro”.

Oncologistas de ESMO e de DESGOSTO

O congresso de SEOM, com 256 palestrantes e 1.409 participantes, contará pela primeira vez com a presença da presidente eleita da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), Mônica Bertagnolli, e o presidente da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), Josep Garçom, para apresentar, junto a SEOM, as linhas estratégicas das três sociedades médicas na corrida para a cura do câncer na sessão presidencial.

Entre essas estratégias, destaca-se “a medicina personalizada, o big data, os resultados em saúde, da qualidade assistencial para pacientes com câncer e a equidade e a sustentabilidade”, explica um comunicado da atual vice-presidente de SEOM, Ruth Vera.

Mas também são analisadas as novidades em imunoterapia, terapias biológicas, biópsia líquida ou o impacto dos novos medicamentos biosimilares em termos de segurança, eficiência, lucro sobre a sustentabilidade do Sistema de Saúde e as garantias que são de oferecer a esses fármacos antes de sua incorporação ao arsenal terapêutico.

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